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quarta-feira, janeiro 11, 2006

Carta aos amigos 

"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que
fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais
de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais
tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez
mais raro. Vamo-nos perder no tempo....
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são
aquelas pessoas?"
Diremos...que eram nossos amigos e...... isso vai doer tanto!
-"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir
aquelas vozes novamente......
Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último
adeus de um amigo. E, entre lágrima abraçar-nos-emos. Então faremos
promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida,
isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo.....
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes
tempestades....
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus
amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

sábado, dezembro 24, 2005

É Português, estúpido! - Expresso 

É Português, estúpido!

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«És Portuguesa?», perguntava o meu colega alemão.

«Sim. Porquê?» respondi.

«Porque a minha mulher-a-dias também é portuguesa», retorquiu.

«Coincidência porque o meu cão também é alemão. É um pastor»

Este diálogo verídico, passou-se quando estudava em Brugges no «College d'Europe». Estávamos nos anos 80 e Portugal ainda não tinha aderido às então Comunidades. Ser português, confundia-se com os operários da construção civil, com as porteiras que tinham imigrado por essa Europa fora à procura de uma vida melhor.

Naquela altura ser um português, ou portuguesa que falava línguas com fluência, conhecia o mundo e a vida e até sabia comer à mesa, era alvo de algum espanto. Tinha de se provar muito para se ser aceite com consideração.

Um pouco à semelhança dos cidadãos dos novos Estados aderentes que começam agora a chegar aos areópagos europeus.

Desde então Portugal valorizou-se extraordinariamente e deixou de ser conotado com as empregadas domésticas.

É confundido com o melhor treinador, como Mourinho e identificado com os melhores futebolistas do mundo. Mas não é só a nível desportivo. Veja-se António Guterres ou Durão Barroso, este o terceiro homem mais poderoso do mundo.

Contudo, mesmo assim, não são poupados a críticas e todos os dias são vilipendiados pelas mais diversas razões. Quase todas mesquinhas e alicerçadas numa inveja pequena e tão lusitana, qual cancro que corrói a nossa sociedade.

Não se ouve, genericamente, nenhum espanhol dizer mal de Javier Solana, porque isso significaria criticar o orgulho nacional do mais alto representante da Política Externa e da Segurança Comum. E sobretudo não os ignoram.

Quantos de nós sabem que é o juiz português no Tribunal de Justiça da União Europeia, o seu Advogado-Geral ou ainda, o Juiz do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem?

Quantos de nós sabem, que, já tivemos um presidente numa instituição comunitária, no caso o Tribunal de Primeira Instância.

Perguntas, provavelmente, para o concurso «Quem quer ser milionário?»

Tal como as pessoas, também os países carecem de auto-estima e de amor-próprio. Até porque não se pode dar aos outros algo que se não tem.

Se fosse possível recuperar o respeito próprio, em suma, a confiança, outro galo de Barcelos cantaria e tudo seria mais fácil.

Porque ao contrário do que se pensa, estupidamente, nem tudo é economia...




Isabel Meirelles


11:48 22 Dezembro 2005

segunda-feira, agosto 15, 2005

Mares muito calmos 

Jà algum tempo que nao ha cronicas ...
Marès calmas, tempestades a vista !!!
Bem pelo menos algumas tormentas e certamente mudanças nos postos fronteiriços do Impèrio !!!

Topico do dia ... que ocorre na nossa pàtria querida ?!?!

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Hoje 

E mais um bom dia para ser portugues em Roterdao.

Wij zijn alles sportinguistas...

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Voto 

Eu vou da Holanda a Portugal de proposito para votar. Isso e beber umas imperiais no Chico. Mas isso agora nao interessa nada.

Sei que poucos lerao isto ate Domingo. Mas os que aqui vierem... Contamos convosco para votar, ok?

Para a semana prometo escrever algo sobre o direito de voto dos emigrantes.
Ate logo. Tenho o aviao do Mobutu a espera.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

9 de Fevereiro 

Esta e uma data que pessoalmente me diz muito. Ha seis anos um grupo de putos provaram que a forca de vontade pode fazer as coisas funcionarem de outra maneira. E que quer se queira quer nao a forca de vontade de cada um de nos pode fazer a diferenca.

Escrevo isto a pensar tambem no proximo dia 20. A falta de alternativa neste momento e preocupante. Mas se calhar e mais preocupante sermos capazes de comparar seja quem for com Santana Lopes. Porque ninguem e tao mau como ele.

Por isso, escrevo com um motivo simples. Tal como ha seis anos a uniao e vontade fez a diferenca, e importante que a partir de dia 21 de Fevereiro aqueles que, como eu, amam Lisboa se preocupem com as proximas eleicoes, com aquelas em que temos que DEFINITIVAMENTE correr com Santana.

O Pais tem neste momento varios designios nacionais. Este e o primeiro.

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Sim ou Não 

O referendo sobre a Constituição Europeia é no dia 20, o mesmo dia que as eleições em Portugal. Em Espanha faz-se uma campanha educacional ao sim. Um pouco tendenciosa, mas pelo menos a malta fica a saber o que afinal é a Constituição Europeia.
Ao mesmo tempo, surgem os partidários do Não, alguns idealistas, alguns nacionalistas, alguns pura e simplesmente idiotas. Tal como a Bebe, uma cantora que fez sucesso o ano passado ao lançar um single cuja letra condena claramente a violência de género. Diz ela que os países têm direito à sua identidade própria.
Muito bem... hum... mas a Constituição diz isso mesmo, que os países têm direito à sua identidade. Qualquer um ficaria um pouco confuso com esta declaração. Houve um jornalista que assumiu que estava confuso e perguntou-lhe o que ela tinha contra a Constituição Europeia. E ela responde, inchada de orgulho: "olha, sinceramente nem sei do que fala". Nada a acrescentar.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Os Reis Magos 

Conta-se que os três Reis Magos do Oriente passaram por terras de Espanha no caminho para Belém. Pessoalmente não acho que este fosse o caminho mais curto, mas não tenho outro remédio senão resignar-me... é quase impossível contrariar esta gente.
Para continuar a tradição, os Reis Magos lá vão passando por Espanha todos os anos, dia 5 de Janeiro à tarde. O mais interessante é que eles não são como o chato do Pai Natal, que se esconde de toda a gente: estes marcam hora para passar na rua, e atiram rebuçados às pessoas... hmmm! Claro que a distribuição das prendas é à noite, enquanto as crianças dormem. A mim não me deixaram nada (não me devo ter portado assim tão bem para ter duas levas de prendas), mas o desfile no dia anterior já valeu a pena.


terça-feira, novembro 30, 2004

Dissolução 

Já que estamos numa de falar de política, aqui fica o meu testemunho. Não é que tenha o hábito de seguir atentamente as peripécias da vida política portuguesa, bem pelo contrário. Por mim, acho que o país vivia perfeitamente com menos de metade dos políticos que actualmente tem. A política em Portugal não é um meio para atingir fins ou ideias. É, infelizmente, um fim em si mesmo. Um salário e demais regalias ao fim do mês.

Pior ainda é termos que gramar com estes tipos a torto e a direito, e vermos que o que faz notícia em Portugal são os aspectos mais rasteiros do dia-a-dia desta cambada. Quanto tempo têm os nossos políticos dedicado a falar da recessão económica em que nos encontramos? Ou das listas de espera dos hospitais? Ou da crónica iliteracia do povo português?

Em vez disso temos/tinhamos um PM que passa o tempo a nomear e dispensar Ministros e Secretários de Estado, que nos presenteia com demagogias baratas do género "temos que melhorar o astral", que quer cortar nos impostos mas não explica onde vai buscar o resto da receita, que fala de bebés, incubadoras, estalos e pontapés. Como é que este país conseguiu produzir semelhante indivíduo?

Quando o Sampaio decidiu não convocar eleições antecipadas e aceitar o Santana como PM achei que tinha feito bem. E continuo a achar. Embora ache que o Santana não vale um tusto, a verdade é que a meu ver não podemos ter um País ao sabor do vento e do regabofe das eleições antecipadas. Já bastou o Guterres que se demitiu por causa das eleições... autárquicas. O homem do diálogo saiu sem dizer uma palavra. Depois veio o Barroso que queria governar por dois mandatos mas que se pôs ao fresco ao fim de dois... anos. Veio o Santana e é o que se vê. E muito sinceramente, o que já se esperava. Mas ainda assim preferia vê-lo como PM até às próximas eleições (não) antecipadas. Podia ser que o homem caísse de podre e nunca mais tivéssemos que vê-lo em nenhum cargo de responsabilidade. Talvez uma participação na Quinta das Celebridades daqui a uns tempos, quem sabe. Mas mais, não.

Assim resta-nos aguentar e esperar por dias melhores. Ou por políticos melhores, porque estes não valem a ponta dum chavo.

Feriado 

1 de Dezembro 1640, restauração da independência.
30 de Novembro 2004, restauração da democracia.

Se hoje estivesse em Lisboa... 

Ia ver o concerto dos vinte anos dos Enapa 2000...
E aposto que se o Vieira fosse Presidente dissolvia a Assembleia... em diluente bem forte!

segunda-feira, novembro 29, 2004

O país... 

Isto vai ser assim. Santana e Sampaio reuniram-se hoje a primeira vez para discutir a crise causada pela demissão do Ministro da Juventude, Desporto e Reabilitação, Henrique Chaves. Como brilhante conclusão de uma hora de reunião entre dois advogados, um primeiro-ministro e outro Presidente da República, ambos com muitos anos de serviço em cargos públicos e a quem portanto reconheceriamos algum mérito e inteligência saiu... a necessidade de voltar a reunir na quarta.

Na quarta reuném e na quinta o Sampaio decide que na sexta vai dizer ao país que reúne com os partidos da oposição a partir da semana seguinte, de acordo com a disponibilidade de Agenda da Presidência da República. Isto leva três ou quatro dias porque também é preciso ouvir "Os Verdes" não só porque têm assento parlamentar mas também porque são só senhoras e ficaria mal não as convidar.

Ouvidos os partidos, o Presidente decide ouvir algumas personalidades para discutir a questão. Nestas incluem-se sempre e pelo menos o Cavaco, o Marcelo, o Jorge Miranda e o Ramalho Eanes. Aliás, protesto contra o facto de Manuela Eanes já não ser convidada para estas coisas. Nestes momentos de crise, estou certo que o seu penteado nos animaria a todos.

O PS desta vez não exige a dissolução porque senão o Sócrates tinha-se que demitir e era uma chatice.

O President (ler com sotaque francês) convoca o Conselho de Estado. O Natal, o Ano novo, o dia de Reis, o Sporting-Benfica a 9 de Janeiro e uma presidência aberta sobre a problemática da merda de gaivota nas Berlengas atrasam a data da reunião.
Lá para fim de Janeiro sentam-se à mesa. A votação (sobre se devem beber chá ou café) acaba 7-6 (a favor do chá) e o Alberto João e o Mário Soares insurgem-se violentamente durante o encontro (não necessariamente sobre a matéria em discussão).
Passado dois dias (portanto, já em Fevereiro) o cabeçudo faz uma comunicação ao país e diz que não vê qualquer razão para dissolver a Assembleia.

Moral da Historia: O mais desgraçado é o emigrante que nem sequer pode dizer: "No dia em que o Santana Lopes for primeiro ministro emigro…"

Histórias da bola 

Façamos uma pausa nas problemáticas multiculturais da Holanda (que as coisas por agora estão mais sossegadas) para falarmos de bola. Deixando de lado as problemáticas da redondinha lusa, que o glorioso arruina a saúde cardíaca de qualquer adepto não muito fanático (quanto mais de mim), façamos o resumo dos últimos meses.
- O Germinal, sem dúvida um dos melhores clubes do mundo senão da Europa vai de vento em popa. A sétima divisão holandesa (de amadores) revela-se bastante mais competitiva que a oitava e o clube luta por um lugar ao sol no meio da tabela. Para grande desilusão minha, o novo equipamento da equipa é igualzinho ao do FCP... Ultimamente, os jogos têm sido adiados devido ao mau tempo...
- Agora dedico-me também ao futsal. Aí, claramente os portugueses destacam-se dos holandeses (modéstia à parte). Aqui, a nota de destaque vai para o facto de o nosso guarda-redes ser um jogador profissional de futebol. Não um qualquer mas um dos titulares indiscutíveis da equipa principal do Feyenoord. Ele é tão bom ou tão mau que até aparece no Championship Manager, esse jogo de computador que é a verdadeira semi-bíblia (que bíblia só há uma) dos loucos da bola. Enfim, parece que aqui ele até pode ser inscrito como amador pela nossa equipa de futsal... outra forma de estar no desporto, definitivamente.
- Por último, dizer apenas que parece que agora na Holanda, se um árbitro se sentir excessivamente insultado ou achar que a exaltação dos adeptos pode por em causa a sua segurança, ele tem poderes para interromper o jogo. Em partidas do PSV Eindhoven já aconteceu duas vezes. Eu por enquanto prefiro dizer que eles são um bocado mariquinhas... De qualquer forma, se a moda alastra a terras lusas...

quarta-feira, novembro 17, 2004

Multiculturalismo 

Começemos pelo antes...

A Holanda sempre se orgulhou da sua tolerância. Religião, drogas leves, gays, meninas em janela, tudo o que noutros países "desenvolvidos" ou não é causa de inúmeros problemas, discussões e traumas/divisões existênciais é aqui aceite e tolerado.

Contudo, está atitude (e penso que isso até já foi aqui dito) não é bem aquela que nós pensamos cá existir. A tolerância holandesa passa sobretudo pela discrição e pela aceitação do que os outros fazem na sua esfera privada. Ou seja, drogas ou meninas sim senhor mas não à minha frente. Daí as coffeeshops e as montras. Uma ganza (charro, erva fumada) no meio da rua ou uma prostitutita de esquina são fenómenos socialmente mais ináceitaveis em Roterdão ou Amesterdão do que em Lisboa (ou Bragança).

Vem isto a próposito do multiculturalismo. Os holandeses orgulham-se de ser multiculturais. Basta olhar para a selecção de futebol. Eles acolheram milhares de indónesios, eles receberam metade da população do Suriname aquando da independência deste país, etc.

A própria relação dos "holandeses" (aqui entendidos como cristãos, originários da Holanda, etc.) com o Islão é bastante boa. A maior mesquita da Europa está a ser construída em Roterdão, existem inúmeros bairros turcos, não existe um clima de antagonismo (como existiu à uns anos na Alemanha). Contudo, os nativos sentem-se chocados com um ou dois detalhes.

O primeiro é a afirmação da religião. Esta é entendida como algo pessoal, por isso grandes manifestações de fé ou a própria utilização de lenços a cobrir a cabeça das mulheres é algo visto como contra natura.
Segundo, existe um problema de integração das segundas gerações. Os primeiros emigrantes esforçaram-se por se integrar o melhor possível. Contudo, ao contrário do que é habitual, a segunda geração não é nascida já na Holanda mas emigra aos 15, 18, 21 anos... Isso provoca um choque cultural imenso em pessoas com demasiada energia acumulada. A rap é árabe. As vitórias do Fenerbahce ou do Galatasaray são celebradas nas ruas holandesas. E tudo isto mesmo com a obrigatoriedade de frequência de um curso de integração por todos os candidatos a visto de residência.
Por último, a explosão demográfica. Diz-se que os muçulmanos não aceitam os costumes ocidentais. Que insultam as mulheres que não tapam o cabelo. Não sei se é verdade. Duvido até que seja. Mas contudo, e isso é que importa, é voz corrente que as famílias turcas ou marroquinas tem mais filhos, que daqui a dez ou vinte ou cinquenta anos haverá mais turcos que holandeses em Amsterdão, etc. Isso cria um clima, mais colectivo que individual, de alguma ansiedade.

Ora, os Holandeses não estão habituados a climas colectivos que cobrem tranversalmente toda uma grande parte da população. E é neste ambiente multicultural que se dá o assassinato de Theo van Gogh, realizador de cinema.

terça-feira, novembro 16, 2004

Vivos 

Estamos vivos. Todos. Por motivos vários não temos deixado aqui os nossos testemunhos. Espero que ainda tenhamos amigos virtuais que queiram ler o que escrevemos.

Mais uma vez fica a promessa da actualidade desportiva. E fica sobretudo a promessa da tentativa de descrever, do lado de cá, os tempos conturbados que se vivem na Holanda.
Voltarei.

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